Em 2026, o real se destacou como a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar, conforme análise da consultoria Elos Ayta, que avaliou o desempenho de 27 moedas diferentes. Até a sexta-feira (17), quando a cotação encerrou em R$ 4,98, a moeda brasileira apresentava uma valorização de 10,7%. Isso implica que, no início do ano, R$ 100 equivaleram a US$ 18,37; atualmente, esse montante compra US$ 20,08.
No segundo lugar do ranking está o novo shekel de Israel, que teve um aumento de 7,7%, seguido pela coroa norueguesa com uma alta de 7,5%.
De um total de 27 moedas analisadas, 14 apresentaram valorização frente ao dólar. Três delas mantiveram-se estáveis e dez tiveram sua cotação reduzida. As moedas com o pior desempenho foram a rúpia indonésia (-2,4%), a rúpia indiana (-2,8%) e a lira turca (-4,2%).
A presença de um equilíbrio entre as moedas em alta e aquelas em baixa sugere que o real tem demonstrado resiliência sustentada por fundamentos econômicos sólidos que apoiam a moeda brasileira, mesmo diante da situação global do dólar americano.
Essa condição é reforçada pelo Índice Dólar (DXY), que apresentou uma leve queda de apenas 0,11% neste ano. Isso indica que a força do real não é atribuída à fraqueza do dólar. O DXY é um indicador técnico que mede o desempenho da moeda dos EUA em relação a outras seis divisas fortes: euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço. O atual cenário contrasta com o final do ano passado, quando o dólar estava efetivamente mais debilitado.
Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, compartilhou essas informações nas redes sociais e ressaltou que a valorização do real resulta de altos diferenciais de juros no Brasil; influxo de capital estrangeiro; sólido desempenho da bolsa local; e melhoria na percepção do risco associado ao país.
Entretanto, ele alertou que a manutenção desse cenário dependerá da trajetória dos juros no Brasil; das políticas monetárias nos EUA; da continuidade do fluxo de investimentos estrangeiros; e da estabilidade fiscal interna.
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Conforme o que foi destacado por Rivero, fatores como o aumento dos preços do petróleo devido à guerra no Oriente Médio têm contribuído para as exportações brasileiras alcançarem recordes este ano. Além disso, a entrada de capital estrangeiro é influenciada pelo posicionamento dos investidores externos em relação ao cenário eleitoral e à manutenção das taxas de juros elevadas no Brasil (14,75% ao ano), especialmente quando comparadas aos juros americanos (3,50% a 3,75% ao ano).
A taxa Selic elevada torna os investimentos em renda fixa brasileiros atrativos para fundos internacionais e proporciona estabilidade ao real. Essa situação influencia também na compra de ações por capital externo devido às posições atrativas no complexo cenário econômico global.
Além disso, com previsões otimistas para o PIB brasileiro — principalmente segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional) — os investidores estrangeiros estão cada vez mais propensos a investir na Bolsa brasileira buscando valorização e retorno em dividendos. Isso facilita ainda mais a entrada de dólares no país.
Esses fatores podem permitir que o Índice Ibovespa — que reflete o desempenho das ações mais negociadas na B3 (Bolsa de Valores do Brasil) — atinja pela primeira vez na história os 200 mil pontos, evidenciando um forte aquecimento do mercado nacional.

