Skip to content
Recife Cotidiano
Recife Cotidiano
Recife Cotidiano
Recife Cotidiano
  • Home
  • Pernambuco
  • Cultura
  • Economia
  • Mundo
  • Política
  • Fale Conosco
  • Home
  • News
  • Categories
  • Features
  • Shop
  • Live
Recife Cotidiano
Recife Cotidiano
Economia
Economia

Retorno da guerra coloca em destaque petróleo, soberania energética e inflação.

Recife CotidianoRecife Cotidianomarço 12, 2026 1164 Minutes read0

A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã recolocou o petróleo no centro do tabuleiro geopolítico. Desde o fim de fevereiro, ataques diretos e a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz fizeram o barril do tipo Brent saltar de 77 dólares para a casa dos 85 dólares, arrastando a cotação no mercado norte-americano para acima dos 80 dólares.

Bancos de investimento, que previam um 2026 com petróleo a 60 dólares, já trabalham com um prêmio de risco que pode levar os preços a 100 dólares. Na Europa, a inflação da zona do euro já reflete o choque energético. Nos EUA, o combustível caro ameaça a desaceleração inflacionária, impondo dilemas à política monetária. Para países emergentes importadores, o cenário traduz-se em pressão sobre o câmbio e risco de desabastecimento.

Guerra e a hegemonia do petrodólar

A escalada produz um efeito ambíguo para Washington. Se por um lado a inflação interna desgasta o governo, por outro, a alta valoriza as petroleiras dos EUA — hoje o maior produtor mundial — e sustenta o fluxo de petrodólares para Wall Street. Apesar do avanço de moedas alternativas como o yuan – ou outras em debates nos BRICS, o conflito fortalece o dólar no curto prazo, pois investidores buscam a moeda norte-americana em tempos de crise.

“Energia é soberania nacional, é poder geopolítico mundial”, resume o geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor da Petrobras e um dos pais do pré-sal. Para ele, o controle das fontes energéticas segue como fundamento da hegemonia mundial, sustentada pelo comando dos fluxos de óleo, gás e petrodólares.

O lugar do Brasil no tabuleiro

Com o pré-sal, o Brasil conquistou a autossuficiência material. Possui uma das matrizes mais equilibradas do mundo (60% fósseis, 40% renováveis), o que permitiria praticar preços de energia a baixo custo para o consumo social e industrial.

Entretanto, Estrella critica a paridade de preços internacionais. Nossos preços internos de energia ainda têm relação com os padrões mundiais e não há qualquer motivo aceitável para isto! Somos um território nacional super privilegiado em todas as formas de energia, todas abundantes, afirma.

O cientista político André Tokarski enfatiza que o desmonte do refino sob Temer e Bolsonaro, aliado à Lava Jato, deixou o país vulnerável a volatilidades externas. “O Brasil se coloca no paradoxo de ser um grande exportador de petróleo, mas ao mesmo tempo um país dependente de derivados”, resume.

A política de preços alinhada ao mercado externo repassa choques de guerras ao consumidor brasileiro. Para Tokarski, a tarefa é recompor a Petrobras como empresa integrada. “O Brasil deve investir na diversificação das suas fontes de energia e sem abrir mão da exploração de nenhuma delas”. Isso inclui o pré-sal e a recuperação do refino, essenciais para a petroquímica e a indústria de fertilizantes.

Sul Global: vulnerabilidade e lições

A guerra aprofunda a divisão entre países do Sul Global. Importadores com o consumo maior que a produção, como Índia e nações africanas, sofrem com a inflação de alimentos e transportes. Já a China, com altos estoques estratégicos e liderança em renováveis, absorve melhor o choque.

Tokarski ressalta que o conflito deixa a lição que nenhum país pode abrir mão de explorar e dirigir de forma soberana os recursos energéticos que dispõe. O Brasil exporta óleo bruto, mas carece de infraestrutura de processamento. Mesmo com aportes recentes da Petrobras, o refino ainda está aquém das necessidades internas. Não houve na última década investimentos relacionados à expansão da capacidade de refino para abastecer o nosso mercado interno, alerta Tokarski, destacando a dependência de diesel e gasolina importados.

A guerra e o impacto na transição energética

Estrella recorda que, historicamente, o carvão e o petróleo decidiram impérios e guerras. Nesse contexto, a transição energética pós-Acordo de Paris é vista por ele como um movimento condicionado pela geopolítica, uma vez que a opção pela transição perde força quando as grandes potências se recusam a assumir metas de descarbonização que firam os próprios interesses.

No Brasil, segundo Estrella, a transformação da Petrobras em ativo financeiro limita o Estado no uso da energia para o desenvolvimento, gerando uma transição não distributivista e consequentemente antissocial. Para o geólogo, é preciso “repensar, com verdadeira soberania, um modelo de desenvolvimento que atenda realmente aos nossos interesses de sociedade e País”.

Tokarski acrescenta que a alta atual de preços valoriza empresas petrolíferas que perdiam espaço, mas também torna as renováveis mais competitivas. Para ele, o movimento é conjuntural e não garante o retorno estrutural do petróleo como ativo imbatível frente às fontes de baixo carbono.

A batalha pelo futuro

A guerra contra o Irã acentua o risco de o Sul Global ser empurrado para a periferia de um novo ciclo tecnológico. Estrella alerta que não há espaço para posicionamentos periféricos: a energia deve servir a um projeto de desenvolvimento com justiça social.

Entre a valorização do petrodólar e a pressão inflacionária global, a batalha pela soberania energética brasileira — que passa pela Petrobras e pelo controle sobre o refino — definirá o direito do país de decidir seu próprio caminho rumo ao futuro.

O post Petróleo, soberania energética e inflação voltam ao centro da guerra apareceu primeiro em Vermelho.

Tags
André TokarskiEconomiaeconomia fóssilGeopolíticaguerra irãGuilherme EstrellainflaçãopetrobrásPetrodólarpetroleopré-salpreço combustíveisrefinosoberania energéticaSul Globaltransição energética

Recife Cotidiano

Previous post Mulheres se unem para impulsionar suas carreiras em um mercado desigual
next post Senado dá luz verde para acordo histórico entre Mercosul e UE, com diminuição de taxas alfandegárias
Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sport fecha com Dudu, ex-jogador do Mazatlán, para reforçar a Série B

julho 16, 2026

Hélio dos Anjos responde a Dodô, desmente boatos e garante que atleta não enfrentou questões de saúde

julho 16, 2026

Jean Carlos pode voltar a campo pelo Náutico diante do CRB; Betão e Dodô desfalcam a equipe

julho 16, 2026

Edson Miranda volta ao Santa Cruz para duelo decisivo contra o Figueirense e intensifica concorrência na defesa

julho 16, 2026

Hélio dos Anjos revela: “Uma surpresa pode surgir a qualquer momento” após desligamento de atleta no Náutico

julho 16, 2026

Sport fecha com Dudu, ex-jogador do Mazatlán, para reforçar a Série B

0 Comments

MPE denuncia sete pessoas por fraudes na comercialização e transporte de combustível

0 Comments

Prefeito de Ferraz de Vasconcelos é acusado de fraudar licitações e causar prejuízo de R$ 15 milhões

0 Comments

Prisão em Altitude: Foragido por Estelionato Capturado em Avião em Porto Alegre

0 Comments

Foragido por estelionato é preso em avião e desembarca em Porto Alegre

0 Comments

Siga-nos

InstagramFollow us

© Recife Cotidiano. 2025.