A rejeição a Donald Trump permanece elevada nos Estados Unidos, onde 62% da população não o apoia, segundo uma pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos. Essa percepção negativa se estende para fora do país, especialmente na América Latina, onde o presidente dos EUA é visto com desconfiança.
Na pesquisa Amlat Radar 2026, promovida pela fundação Friedrich Ebert da Alemanha, Trump é identificado como o líder que gera maior desconfiança entre os latino-americanos.
Com 25,4% das menções, Trump ocupa a primeira posição no ranking de desconfiança na região, seguido por Vladimir Putin, presidente da Rússia, com 12,2%. O líder venezuelano Nicolás Maduro aparece em terceiro lugar com 5,1%, enquanto Xi Jinping da China registra 4,7%. O presidente brasileiro Lula é mencionado por apenas 1,2% dos entrevistados.
Quando focamos nas opiniões dos brasileiros especificamente, a taxa de desconfiança em relação a Trump sobe para 26%. Para Putin, esse percentual é de 7%, enquanto Xi Jinping e Maduro têm taxas de 4% e 1%, respectivamente. Em contrapartida, Lula é citado por 12% dos brasileiros, um número que reflete a polarização política presente no país.
A pesquisa abrangeu um total de 12 mil pessoas provenientes de diversos países da América Latina, incluindo Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México, Uruguai e Venezuela.
Modelos de Desenvolvimento
O estudo também analisou quais países são considerados pelos latino-americanos como os melhores exemplos a serem seguidos para o desenvolvimento futuro de suas nações.
Dentre as opções apresentadas aos participantes — podendo escolher mais de um país — a China se destacou como a mais mencionada (36,1%), seguida pelo Japão (31,7%) e pelos Estados Unidos (31,4%). Completa a lista dos cinco primeiros países o Canadá (29,5%) e a Alemanha (28,7%).
Leia mais: Popularidade de Trump permanece baixa em meio à guerra e críticas ao papa
Esses resultados sublinham a forte imagem positiva da China na América Latina; ela é vista por muitos como um modelo desejável para o futuro.
No entanto, quando analisamos apenas as respostas dos brasileiros sobre quais países servem como modelo de desenvolvimento, os Estados Unidos lideram com 34% das menções. A China segue logo atrás com 31%, enquanto Japão (26%), Canadá (25%) e Alemanha (21%) completam o quadro.
Palavras que Definem China, EUA e União Europeia
A pesquisa também perguntou aos latino-americanos quais palavras melhor descrevem a China, os EUA e a União Europeia (sem considerar seus líderes). As respostas incluíram termos como esperança, segurança, desconfiança, admiração, medo e desprezo.
A palavra mais recorrente associada à China foi “admiração” (23%), seguida por “desconfiança” (21%), “esperança” (17%), “segurança” (13%), “medo” (7%) e “desprezo” (2%). Um número significativo não soube ou não respondeu à pergunta.
No caso dos EUA, “desconfiança” foi citada pela maioria (31%), seguida por “esperança” (19%), “segurança” (12%), “admiração” (11%), “medo” (8%) e “desprezo” (7%). No que diz respeito à União Europeia (UE), a palavra mais citada foi também “esperança” (24%).
Leia mais: Lula se reunirá com Trump em Washington abordando soberania e comércio
Analisando apenas as percepções brasileiras sobre esses países destaca-se novamente a desconfiança: 27% associam essa palavra aos EUA e 21% à China. Ambos os países têm uma taxa igual de esperança em 17%. A admiração pela China está em 15%, enquanto para os EUA fica em apenas 9%. Além disso, há um percentual considerável de brasileiros que expressam desprezo pelos Estados Unidos (10%).
No que tange à União Europeia, uma alta porcentagem de brasileiros não soube ou não respondeu à pergunta sobre definição (32%), enquanto aqueles que mencionaram esperança somaram 18%.
A pesquisa também revela que muitos latino-americanos reconhecem a liderança da China em áreas como ciência e educação (51%), inteligência artificial (61%) e desenvolvimento tecnológico (75%) em comparação aos EUA e à UE. Ademais, observa-se uma crescente aproximação chinesa no campo econômico com uma taxa de menção de 38%, enquanto os EUA ficam com 42% nesse aspecto.

