A presença de grupos neonazistas nas Forças Armadas da Ucrânia é amplamente reconhecida, sendo o Batalhão Azov um dos exemplos mais notáveis. Esta milícia paramilitar foi incorporada oficialmente pelo governo ucraniano, e frequentemente utiliza símbolos de inspiração nazifascista, como o sol negro, além de idolatrar figuras extremistas, incluindo o fascista Stepan Bandera (1909-1959), que liderou a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B, facção banderista).
Recentemente, a decisão do presidente Volodymyr Zelensky de nomear uma unidade militar em homenagem a uma facção associada ao nazismo reforça essa percepção. No final de maio, ele designou a unidade como Exército Insurgente Ucraniano (UPA, na sigla original), justificando sua escolha como uma forma de restaurar tradições históricas.
A denominação “Heróis do UPA” imediatamente provocou reações na Polônia, onde o grupo militar vinculado a Bandera foi ativo durante a Segunda Guerra Mundial ao lado dos nazistas e é responsável por um massacre que vitimou cerca de 100 mil poloneses.
O genocídio perpetrado pelos membros do UPA nas regiões da Volínia e Galícia Oriental, entre 1943 e 1945, começou com a invasão alemã à União Soviética (URSS). Durante esse período, o UPA se aliou às forças de Adolf Hitler em busca não apenas de autonomia em relação à URSS, mas também para anexar áreas polonesas. A partir daí, os ucranianos colaboracionistas cometeram assassinatos em massa contra civis para consolidar seu domínio sobre essas regiões.
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Ainda que o UPA tenha em alguns momentos se oposto aos alemães, suas alianças com os nazistas foram duradouras. Após a conclusão da Segunda Guerra Mundial, o grupo continuou suas atividades por vários anos contra os soviéticos. Com isso, atraiu adeptos e nostálgicos do nazifascismo que ainda hoje buscam reviver seus ideais e símbolos.
A decisão de Zelensky em retomar o nome UPA não foi o único ato controverso. Ele também promoveu uma cerimônia em Kiev para dar sepultura ao líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-M, facção melnykista), Andriy Melnyk, e sua esposa, cujos restos estavam anteriormente em Luxemburgo.
Confira abaixo a homenagem prestada pelo presidente ucraniano aos nazistas:
As we were bringing Colonel Andriy Melnyk and his wife Sofia back to Ukraine – through Zakarpattia and then across half the country to our free capital, Kyiv – this path was not marked by the discord that had so often knocked us, and Ukraine, off our feet in the past. There were… pic.twitter.com/qXpsTeZkfR
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) May 25, 2026
Toda essa situação gerou forte repúdio internacional. O presidente polonês Karol Nawrocki foi um dos mais incisivos nas críticas. Ele afirmou que “na família europeia não se pode glorificar bandidos e assassinos que mataram mulheres e crianças”, referindo-se à entrada da Ucrânia na Otan como um dos fatores que contribuíram para o atual conflito com a Rússia.
Nawrocki também sugeriu que Zelensky fosse destituído da Ordem da Águia Branca, a maior condecoração polonesa concedida pelo antecessor Andrzej Duda. Esse comentário levou Zelensky a devolver a medalha antes mesmo que uma revisão sobre sua destituição fosse realizada.
No contexto regional, a Polônia tinha sido um dos principais países a apoiar as forças ucranianas desde 2022 em sua luta contra a Rússia. Entretanto, ao longo dos últimos anos e devido a mudanças políticas internas na Polônia, essa relação se deteriorou progressivamente até chegar à situação atual. Estima-se que mais de um milhão de refugiados ucranianos estejam vivendo na Polônia atualmente, o que tem gerado tensões adicionais.
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