A disputa por duas cadeiras no Senado representando Pernambuco ganhou novas nuances com a recente pesquisa realizada pelo Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (17). Marília Arraes (PDT), que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lidera as intenções de voto com 29%. Na corrida pela outra vaga, o senador Humberto Costa (PT), também aliado de Lula, obteve 20%, dois pontos percentuais à frente de Mendonça Filho (PL), que alcançou 18%.
Esses números reafirmam Marília e Humberto como os principais representantes da base governista na disputa, enquanto revelam que a competição pelas vagas está bastante acirrada. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os 20% de Humberto e os 18% de Mendonça configuram um empate técnico.
A pesquisa foi realizada com 1.600 eleitores pernambucanos entre 12 e 15 de agosto, utilizando entrevistas presenciais e por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança estabelecido em 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo PE-06056/2026.
Humberto mantém desempenho enquanto cenário muda
No comparativo com a última pesquisa do mesmo instituto, feita no final de julho, Marília Arraes teve um crescimento nas intenções de voto, passando de uma faixa entre 27% e 28% para os atuais 29%. Por sua vez, Humberto manteve-se praticamente inalterado, variando apenas entre 20% e 21%.
A principal alteração se deu entre os demais candidatos. Miguel Coelho (União Brasil), que anteriormente registrava 22%, retirou-se da disputa em favor de Eduardo da Fonte (PP), seu colega na federação partidária. Com essa mudança, Da Fonte aparece agora com apenas 12%, seis pontos a menos do que seu desempenho anterior, enquanto Túlio Gadelha (PSD) alcança 11%.
Essa reconfiguração ajuda a entender a nova dinâmica da disputa. A saída de Miguel, que tinha um desempenho forte no Sertão, alterou significativamente a distribuição dos votos e permitiu que Mendonça Filho se firmasse como o principal representante do campo bolsonarista na corrida senatorial.
Direita reorganiza palanques e fortalece Mendonça
Mendonça Filho agora ocupa uma posição que antes era disputada por diversos nomes da direita pernambucana. Em levantamentos anteriores, ele aparecia em desvantagem em relação a outros candidatos do mesmo espectro político. Na pesquisa Genial/Quaest realizada em julho, por exemplo, Mendonça tinha apenas 8%, enquanto Humberto estava à frente com 12% no cenário inicial.
A reestruturação das chapas mudou esse panorama. O grupo político dos Coelhos decidiu apoiar Mendonça, enquanto Eduardo da Fonte continuou como candidato ao Senado na aliança ligada à governadora Raquel Lyra (PSD). Essa movimentação consolidou parte do eleitorado direitista em torno do ex-ministro.
Atualmente, a disputa pela segunda vaga permanece em aberto: Humberto tem 20%, seguido por Mendonça com 18%, Eduardo da Fonte com 12% e Túlio Gadelha com 11%. Como cada eleitor pode votar em dois candidatos devido à eleição para duas cadeiras disponíveis, alianças estratégicas e transferência de votos serão fatores cruciais ao longo da campanha.
Cenário de Lula no estado
No contexto político ligado a Lula, o aspecto mais relevante é a liderança mantida por ele e a permanência de Humberto Costa entre os dois primeiros colocados mesmo diante da entrada de novos concorrentes e das mudanças nas candidaturas rivais. Contudo, a vantagem sobre Mendonça é bastante estreita.
A pesquisa deve ser analisada também à luz do cenário eleitoral para governador. João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) estão empatados com 43% nas intenções para o primeiro turno e apresentam uma simulação equilibrada para um possível segundo turno: ambos aparecem empatados em 44%.
Dessa forma, as eleições em Pernambuco se desenham como duas competições intensamente competitivas: enquanto o governo estadual está praticamente dividido ao meio, a luta pela segunda cadeira no Senado envolve Humberto e Mendonça numa contenda próxima, onde outros candidatos ainda podem conquistar espaço.
Para Humberto Costa, o desafio reside em transformar sua atual vantagem numérica em uma vantagem eleitoral mais robusta. Para isso, será fundamental observar como evolui sua campanha e quais alianças serão formadas durante o percurso eleitoral — especialmente tendo em vista que duas vagas estão em jogo.

