Nesta quarta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), localizado em Iperó, São Paulo, onde assistiu ao início da montagem da seção nuclear do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE). Este laboratório representa um protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão do futuro submarino nuclear Álvaro Alberto.
Essa fase é um passo significativo para o Programa Nuclear da Marinha, que busca consolidar o projeto do submarino.
A comitiva que acompanhou o presidente incluiu o ministro da Defesa, José Múcio; o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro; o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen; e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos.
Lula ressaltou a importância da soberania nacional durante seu discurso e garantiu que buscará os recursos necessários para a finalização do projeto. “Nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine de uma vez por todas esse submarino. Um submarino é importante para o Brasil, para a nossa soberania, para o nosso desenvolvimento tecnológico e para gerar emprego”, declarou o presidente.
O presidente também fez críticas à interrupção de projetos estratégicos das Forças Armadas e pediu um tratamento especial para os investimentos na defesa. “A gente não tem soberania nacional porque a gente faz discurso. O discurso é só palavra e o adversário às vezes nem escuta. A gente tem que estar preparado para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não, dizer que vamos competir. O que não pode é ser cabeça baixa a vida inteira”, enfatizou Lula. Ele ainda defendeu o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, conforme estipulado pela Constituição, destacando que dominar essa tecnologia é essencial para desenvolver e exportar conhecimento.
A ministra Luciana Santos comentou sobre a relevância estratégica do submarino nuclear, descrevendo-o como um “instrumento de dissuasão” e uma “ferramenta importante para protegermos nosso mar em um contexto de aumento das tensões geopolíticas”.
O almirante Marcos Sampaio Olsen destacou a importância contínua do programa e a necessidade de garantir orçamento adequado. O ministro da Defesa também fez questão de ressaltar o compromisso do governo com essa iniciativa.
O LABGENE atua como um “submarino em terra”, permitindo simulações e testes seguros dos reatores e sistemas eletromecânicos antes da instalação na embarcação definitiva. Com operação plena, o reator possui capacidade térmica de 48 megawatts, suficiente para atender ao consumo energético de uma cidade com 20 mil habitantes.
Este projeto possui um caráter dual: além de proteger as águas territoriais brasileiras, promove o desenvolvimento futuro de pequenos reatores modulares que podem beneficiar setores como medicina e agricultura.
A infraestrutura do Aramar assegura autonomia tecnológica nacional e inclui importantes unidades como o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), a Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) e o Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT). Além disso, conta com financiamento da Finep voltado à produção do gás UF6, utilizado no processo de enriquecimento do urânio e na fabricação dos combustíveis necessários para reatores navais.
A formação profissional é realizada pelo Centro de Instrução e Adestramento Nuclear (CIANA), enquanto as práticas relacionadas à segurança radiológica são auditadas pelo Laboratório Radioecológico (LARE). Ao integrar defesa e aplicações civis, o governo reafirma sua intenção em manter domínio sobre questões nucleares como uma estratégia vital para desenvolvimento e soberania.
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