O cinema brasileiro fez uma forte entrada na Riviera Maya, no México, demonstrando que possui um papel significativo no cenário audiovisual global. Durante a 13ª edição dos Prêmios Platino Xcaret 2026, realizada no impressionante Grande Teatro Tlachco, dentro do Parque Xcaret, o Brasil conquistou dez estatuetas em uma competição que incluiu produções de 23 nações. No centro das atenções estavam duas obras que vão além do entretenimento: O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, e Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa.
É interessante notar que as produções brasileiras mais aclamadas da cerimônia são também as mais engajadas politicamente. Em um período em que a verdade enfrenta desafios e a democracia busca se reerguer após crises recentes, os Prêmios Platino reconheceram exatamente o tipo de cinema que se atreve a abordar realidades frequentemente ignoradas.
Oito prêmios e uma mensagem ao mundo
O longa O Agente Secreto destacou-se como o grande vencedor da noite, levando para casa oito prêmios: melhor filme ibero-americano, melhor direção, melhor roteiro, melhor ator — tanto pelo júri quanto pela votação popular —, além de melhor direção de arte, melhor trilha sonora e melhor montagem. Ambientado durante a ditadura militar brasileira nos anos 70, o filme gerou discursos à altura de sua relevância.
Ao receber o prêmio, Kleber Mendonça Filho refletiu sobre a importância do cinema nos dias atuais. “Estamos vivendo um momento extraordinário para a arte de narrar histórias. Em tempos onde a verdade é frequentemente contestada e manipulada, o cinema se torna uma ferramenta poderosa para expressar narrativas cheias de poesia, aventura e fantasia. Também revela a verdade do drama humano e as histórias de amor. Essa combinação é uma forma artística genuína que carrega um profundo compromisso social e político. Dedico este prêmio aos jovens roteiristas”, afirmou o cineasta.
Pelo lado do elenco, Wagner Moura, premiado como melhor ator — repetindo seu sucesso no Festival de Cannes 2025 — estava em gravações na Espanha e enviou uma mensagem que Kleber leu com emoção e humor. “Adoro os prêmios Platino! É maravilhoso ver nossa cinematografia ser reconhecida e encontrar amigos. Dedico este prêmio ao gênio diretor Kleber Mendonça. Te amo!”, dizia a mensagem.
A celebração foi completada pela produtora Emilie Lesclaux — esposa do diretor — que destacou a importância do reconhecimento coletivo: “É um privilégio fazer parte da comunidade audiovisual ibero-americana, estar aqui no México foi incrível.”
A equipe técnica do filme também recebeu merecidos elogios: Thales Junqueira conquistou o prêmio pela melhor direção de arte; Tomaz Alves Souza e Mateus Alves foram reconhecidos pela melhor trilha sonora; enquanto Eduardo Serrano e Matheus Farias levaram o prêmio pela melhor montagem.
A primeira conquista da noite veio dos trópicos
Antes de O Agente Secreto brilhar no evento, foi Apocalipse nos Trópicos que iniciou as comemorações brasileiras ao ganhar o prêmio de melhor documentário. A obra de Petra Costa explora o crescimento do fundamentalismo religioso na política brasileira e os eventos que levaram ao vandalismo ocorrido em 8 de janeiro de 2023 — um filme que transforma arquivos em denúncias e memória em ação.
Bruno Pacini, coordenador das pesquisas do documentário, subiu ao palco para celebrar o esforço coletivo da equipe. “Houve integrantes que se dedicaram a buscar documentos desconhecidos até então. Agradeço por este prêmio ao cinema documental que tem o poder de transformar traumas em memórias ativas”, destacou.
O Brasil também é representado nas novelas
A celebração brasileira não se resumiu apenas ao cinema; a novela Beleza Fatal conquistou o prêmio de melhor série. A diretora Maria de Médicis e o roteirista Rapha Montes estavam presentes para representar a produção. Montes sintetizou com humor o espírito do evento: “O Brasil é como qualquer país latino: uma novela.”
A participação brasileira na 13ª edição dos Prêmios Platino não é um fato isolado; no ano anterior, ‘Ainda estou aqui’ já havia obtido três prêmios na mesma cerimônia.
Dentre os outros destaques da noite, a série argentina O Eternauta ganhou como melhor série e Ricardo Darín foi premiado como melhor ator em série. O ator Guillermo Francella recebeu um prêmio honorário enquanto Blanca Soroa foi eleita melhor atriz por sua atuação em Los Domingos.
A mensagem central da noite teve origem no Brasil — sendo política, poética e coletiva. Num cenário global onde forças autoritárias tentam reescrever narrativas históricas, o cinema nacional optou por preservar memórias importantes, nomear injustiças cometidas e reafirmar artisticamente que a verdade prevalece.
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com agências
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