Paulo Nogueira Batista Jr., economista e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do Brics), publicou um vídeo onde discute o poema “One Art”, da renomada poetisa americana Elizabeth Bishop, e sua inclusão no filme Flores Raras, dirigido por Bruno Barreto.
No conteúdo audiovisual, Nogueira Batista revela que teve seu primeiro contato com a obra de Bishop através da produção cinematográfica de Barreto, que retrata o romance entre a poeta e a paisagista brasileira Lota de Macedo Soares, famosa por seu trabalho no projeto do Aterro do Flamengo.
O economista elogia a escolha do diretor ao iniciar e finalizar o longa-metragem com o poema “One Art”, destacando isso como um “lance de gênio”.
A análise apresentada por ele explora a narrativa do filme: desde a chegada de Elizabeth Bishop ao Brasil até seu envolvimento com Lota, passando pelas turbulências na relação e pelo impacto que o golpe militar de 1964 teve na vida da arquiteta, que viu sua carreira afetada devido à sua proximidade com Carlos Lacerda, então governador.
No relato de Paulo Nogueira Batista Jr., a conjunção do desgaste amoroso e das tensões políticas levou Lota a uma grave crise emocional, que culminou em seu suicídio em Nova York.
Ele destaca que a técnica narrativa empregada por Bruno Barreto se fortalece pela estrutura do filme, que abre com uma leitura de uma versão inacabada do poema e encerra com a leitura da versão finalizada.
Para Nogueira, Elizabeth Bishop só conseguiu finalizar “One Art” após vivenciar uma perda “catastrófica e real”, transformando assim o poema sobre a arte de perder em uma reflexão profundamente ligada à experiência do luto.
Ao concluir seu vídeo, Paulo Nogueira Batista Jr. recita trechos do poema em inglês e oferece uma tradução livre para o português, enfatizando os versos finais:
“Mesmo perder você, a voz alegre, um gesto que amo, não terei mentido. É evidente, a arte de perder não é tão difícil de aprender, embora pareça com… escreva: desastre”.
De acordo com ele, a junção entre a poesia de Elizabeth Bishop e o talento cinematográfico de Bruno Barreto resultou em uma das mais tocantes expressões no cinema brasileiro contemporâneo.

