Alirio Muñoz, porta-voz internacional da campanha de Iván Cepeda, denunciou que a extrema direita colombiana tem utilizado “compra massiva de votos”, desinformação digital e apoio externo para tentar barrar a vitória do Pacto Histórico no primeiro turno das eleições presidenciais, realizadas no domingo (31).
Em uma entrevista em Bogotá na segunda-feira (1º), Muñoz comentou sobre as manobras de grupos associados ao ex-presidente Álvaro Uribe, que teriam promovido a candidatura do advogado Abelardo de la Espriella através da estratégia do “voto útil”, enquanto a candidata Paloma Valencia, também ligada a Uribe, foi marginalizada nos momentos finais da campanha.
“Álvaro Uribe organizou sua estratégia eleitoral de modo a ter duas opções e se esforçou para garantir a vitória já no primeiro turno”, assegurou o dirigente do Pacto Histórico.
Muñoz expressou sua surpresa pelo fato de que Paloma Valencia tenha sido deixada de lado e enfatizou o fortalecimento da candidatura de Abelardo de la Espriella por meio do suposto voto útil.
O porta-voz fez críticas severas à tática digital de ataques difamatórios provenientes do exterior contra as candidaturas do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida, destacando o papel fundamental desempenhado por Cepeda e sua vice, Aida Quilcué, na promoção da política de “Paz Total”.
A iniciativa é vista como crucial para pôr fim a mais de cinco décadas de conflitos armados que causaram mais danos ao país durante os períodos democráticos do que nas ditaduras do Cone Sul.
“Houve uma grande quantidade de desinformação e campanhas difamatórias que aparentemente foram financiadas dos Estados Unidos, Espanha e outros países. Também houve interferência internacional e pressão vinda dos EUA e Equador”, comentou o deputado federal por Bogotá, ressaltando que houve uma campanha digital maciça em prol da extrema-direita.
Alirio destacou que “essa disputa eleitoral vai além da vontade dos colombianos; é uma luta entre o progressismo e o fascismo internacional”.
“Mídias estrangeiras apoiando o fascismo e o neoliberalismo”
Ele também condenou como exemplo a atuação das grandes corporações de comunicação, afirmando que elas ajudaram a promover conteúdos nas redes sociais que favoreciam a direita, sustentando o fascismo e políticas neoliberais contra o povo colombiano. Em contraste, Muñoz reconheceu que este governo conseguiu comunicar-se efetivamente através de mídias alternativas e redes sociais, democratizando a informação.
<pNeste contexto, ele afirmou que com os quase 10 milhões de votos obtidos, é necessário “redesenhar nossa campanha, mensagens e estratégias midiáticas para conquistar aqueles eleitores que não compareceram às urnas e atrair os apoiadores dos demais candidatos”.
A taxa de abstenção no último domingo foi de 43%, com cerca de 20 milhões de colombianos optando por não votar – um número próximo ao total obtido pelo candidato mais votado.
As primeiras apurações indicam que Abelardo de la Espriella recebeu 43,7% dos votos, seguido por Iván Cepeda com 40,9% e Paloma Valencia com 6,9%.
Sérgio Fajardo, quarto colocado nas eleições com aproximadamente 4% dos votos totais, descreveu De la Espriella como um “fantoche” e um “merda”, insinuando que ele não merece qualquer credibilidade.
“Petro é referência na rejeição ao imperialismo”
Muñoz também elogiou as declarações firmes do presidente Gustavo Petro contra a invasão da Venezuela e em repúdio ao bloqueio imposto a Cuba. Ele afirmou que essas posições têm colocado o governo colombiano na liderança global em questões como paz, mudança climática e autodeterminação dos povos.
“Acredito que a Colômbia está desempenhando um papel significativo tanto para a América Latina quanto para o mundo. Internamente, políticas sociais estão sendo implementadas em benefício da população em áreas como reforma agrária integral e educação pública gratuita”, exemplificou Alirio. Essas iniciativas têm gerado reações intensas entre as forças opositoras.
No entendimento do porta-voz internacional de Cepeda, “a competição neste segundo turno representa um embate entre um futuro baseado na soberania e democracia contra um passado marcado por corrupção e violência em um Estado mafioso”.
“Colômbia corre risco diante da extrema direita”
Diana Patricia, ex-prefeita da capital e candidata à presidência pelo movimento independente Imparável, alertou sobre o risco iminente à democracia colombiana devido à ascensão da extrema-direita anti-direitos. Ela identificou De la Espriella como representativo do “trumpismo grosseiro”, pregando sobre os perigos autoritários enfrentados pelo país.
<p“Ao povo colombiano: há um sério risco de perdermos nossa democracia devido ao autoritarismo global”, advertiu ela. Diana conclamou aqueles que se abstiveram nas eleições a comparecerem às urnas novamente: “de la Espriella não merece meu voto nem postumamente”.
Juan Daniel Oviedo, candidato à vice-presidência ao lado de Paloma Valencia, criticou De la Espriella pelas declarações feitas por sua esposa à revista Semana. Ela mencionou ter planejado como lidar com uma possível derrota nas eleições.
“Temos duas opções: ganhar ou perder. E caso optemos pela derrota não será o fim do mundo; temos nossas vidas organizadas. Vivemos bem juntos em outro país; se quisermos podemos voltar para a Colômbia”, ironizou Ana Lucía Pineda.
Abelardo de la Espriella possui cidadania trinacional: nasceu na Colômbia, obteve cidadania italiana através dos avós maternos italianos e viveu nos Estados Unidos por 15 anos.
Edição: Lucas Toth
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