Disfarçado sob a justificativa de “responsabilidade fiscal”, o senador Flávio Nantes Bolsonaro (PL) está elaborando um novo capítulo de medidas neoliberais drásticas. O plano, que foi exposto com certo constrangimento pelo jornalista Fernando Canzian na Folha de S.Paulo nesta terça-feira (21), revive as estratégias fracassadas de Paulo Guedes: um “tesouraço” que pretende congelar os valores de aposentadorias, Benefício de Prestação Continuada (BPC), saúde e educação.
A divulgação dessas propostas impopulares foi adiada para não ser apresentada ao eleitorado. Trata-se de uma manobra eleitoral enganosa, planejada para ser implantada caso Bolsonaro 01 fosse eleito, levando o Brasil a um abismo social similar ao que hoje se vê na Argentina sob Javier Milei.
Orçamento como refém: a desvinculação da vida
A abordagem adotada pela equipe econômica inicial de Flávio Bolsonaro ataca diretamente os fundamentos da Constituição de 1988. O intuito é economizar R$ 1,9 trilhão ao longo de dez anos, sacrificando o bem-estar da população. As principais medidas constituem um ataque à cidadania e visam restringir a parte do orçamento destinada ao pagamento dos juros:
- Sufocamento da Saúde e Educação: A proposta sugere desvincular esses setores da obrigatoriedade dos 15% da Receita Corrente Líquida e 18% da Receita Líquida de Impostos. Isso, na prática, elimina o piso constitucional e transforma direitos básicos em meras variáveis para ajustes fiscais.
- Agressão aos Aposentados e ao BPC: O projeto apresentado por Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, propõe dissociar o aumento real do salário mínimo dos reajustes previdenciários. Essa medida implica em congelar o poder aquisitivo de 41 milhões de aposentados e beneficiários, forçando idosos e pessoas com deficiência a retornar à miséria.
- Privatização em massa: O primogênito do clã Bolsonaro já manifestou a intenção de privatizar até 95% das estatais, incluindo a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — entidades essenciais para um desenvolvimento autônomo.
A herança maldita: o legado destrutivo de Bolsonaro e Guedes
Para compreender as propostas de Flávio Bolsonaro, é fundamental analisar o legado caótico deixado por seu pai. Ao contrário da narrativa sobre “gestão eficiente”, a administração Jair Bolsonaro resultou em um país em colapso:
- O Orçamento Secreto: O governo anterior institucionalizou práticas corruptas relacionadas ao orçamento, transferindo bilhões para aliados parlamentares sem qualquer transparência, enquanto cortava recursos destinados à merenda escolar e à compra de medicamentos.
- Dívida e Desonerações Eleitorais: Em 2022, visando reeleição, a família Bolsonaro promoveu uma desorganização fiscal sem precedentes, reduzindo impostos sobre combustíveis e criando gastos temporários que resultaram em um enorme buraco financeiro para o próximo governo lidar.
- A “Escola das Rachadinhas”: A credibilidade fiscal de Flávio Bolsonaro é comprometida por sua trajetória no Rio de Janeiro. Ele foi denunciado por peculato e lavagem de dinheiro no esquema das “rachadinhas”, utilizando funcionários fantasmas e lojas fictícias para desviar recursos públicos.
Terrorismo fiscal: atuação do CDPP e da Folha
A apresentação dos dados por Fernando Canzian visa construir a imagem de Flávio Bolsonaro como alguém “austero”. Esses números provêm do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), uma entidade que funciona como um think tank financiado integralmente pelo setor financeiro e grandes corporações para moldar o debate público em favor do capital.
A reportagem tenta dar aparência de “planejamento pré-campanha”, mas os dados foram coletados junto a essa instituição ortodoxa para apresentar Flávio Bolsonaro como um cortesano confiável aos olhos do mercado. Ignora-se que a dívida bruta chegou a 78,7% do PIB em 2025, com trajetória controlada durante o governo Lula.
A narrativa sugere uma crise fiscal descontrolada que não existe: “Nos quatro anos sob Lula, ela deve subir cerca de dez pontos percentuais; e o próprio governo prevê que atingirá 86% do PIB até 2027” — argumento utilizado para justificar cortes nos gastos sociais enquanto se assegura o pagamento exorbitante dos juros aos rentistas.
A miragem argentina e o efeito multiplicador social
A proposta defendida por Flávio Bolsonaro strong > representa uma versão brasileira do “choque” promovido por Javier Milei. Na Argentina, essa agenda resultou em um aumento significativo da pobreza, que ultrapassou os 50%. Ao desvincular o salário mínimo e reduzir investimentos, Filho 01 strong >de Jair Bolsonaro está retirando dinheiro da circulação popular para sustentar o círculo vicioso financeiro. Como alerta o presidente Lula, os gastos sociais têm um efeito multiplicador: quando há dinheiro nas mãos das pessoas, isso impulsiona consumo, gera impostos e promove crescimento — tudo isso com inflação controlada. O plano apresentado pela família Bolsonaro segue na direção oposta: provoca recessão e exclusão social.
A normalização da barbárie strong > p >
A cobertura midiática corporativa, representada nesta matéria da Folha , desempenha um papel prejudicial: busca “normalizar” a extrema direita ao apresentá-la como uma alternativa fiscalmente responsável. Ao ocultar os custos humanos e os escândalos envolvendo o clã Bolsonaro sob números frios em planilhas Excel , a imprensa alimenta novamente uma situação explosiva.
No horizonte não se vislumbra apenas um plano governamental; trata-se claramente de um pacto predatório. É significativo que a publicação ressaltasse que a equipe de Flávio Bolsonaro strong > considera esse ajuste “politicamente viável”, ao invés de “economicamente sustentável”. Essa afirmação revela uma falha importante: as expectativas da equipe econômica inicial não são baseadas na eficácia dos dados financeiros, mas sim na força política da extrema direita para conter a insatisfação popular inevitável gerada por um plano tão nocivo.
A transparência surge como solução: é imprescindível que as pessoas compreendam que atrás do discurso sobre “combate aos privilégios”, as intenções reais de Flávio Bolsonaro strong > junto ao mercado visam reviver as diretrizes fracassadas do ex-ministro Paulo Guedes.
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